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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Os aviões agrícolas são, cada vez mais, um dos itens desejados em algumas fazendas. Quase um quarto da pulverização de lavouras de grãos (soja, algodão, milho, arroz, feijão e trigo), além de cana de açúcar e laranja, é feita por aviões no Brasil. O país tem a segunda maior frota de aeronaves agrícolas do mundo, 1,9 mil unidades, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que têm cerca de cinco mil aeronaves.

Com 446 aeronaves, Mato Grosso tem a maior frota do país (23,6%), seguido de perto pelo Rio Grande do Sul, que tem 441 aeronaves, de acordo com dados do Registro Aeronáutico Brasileiro em 2013.

O agricultor Wanderson Ricardo Mazzardo, que planta grãos em Sinop, região Norte de Mato Grosso, conseguiu fazer esse investimento no primeiro semestre deste ano, comprando o avião em parceria com outros produtores. Ele quer ganhar tempo no combate a pragas e doenças. Segundo ele, com a pulverização aérea, os custos com piloto e manutenção são mais caros, mas são compensados pelo fato de não haver amassamento de soja e por ter rapidez na aplicação.

“Segundo estudos, falam na faixa de duas a três sacas por hectare que você amassa com o [pulverizador] terrestre. E sem contar a questão de você poder aplicar no horário certo. O avião é no mínimo de cinco a seis vezes mais rápido que o pulverizador terrestre”, afirma o piloto de avião, Alex Picolli.

Outra vantagem destaca por Mazzardo é que a pulverização aérea dificulta a disseminação de pragas e doenças de uma parte a outra da lavoura. “O avião não entra em nenhuma hora em contato com a cultura. Então a disseminação dele da doença é muito menos que a aplicação por pulverizador”, comenta.

O valor de um avião pode variar entre R$ 950 mil a R$ 4 milhões de reais, sendo que a capacidade pode variar de 750 a 3 mil litros do produto a ser pulverizado.

O custo pelo uso do avião, piloto e combustível está em torno de R$ 16 por hectare em Mato Grosso. As aplicações pedem muita habilidade do profissional e, além dos benefícios que atraem os produtores, também chamam a atenção para a profissão de piloto. O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindac) estima que no país são 1,2 mil pilotos.

Depois de trabalhar dois anos como piloto comercial, Alex Picolli resolveu mudar de ares e há quatro anos atua na área agrícola. “O piloto comercial você fica muito tempo fora de casa, muito longe. Você pega para viajar pra fora. Então eu prefiro mais o agrícola, porque você está perto de casa e está sempre em uma base só. Então fica mais tranquilo, mais perto de casa mesmo”.

O piso salarial da categoria é de pouco mais de R$ 1,8 mil. O piloto contratado recebe ainda 15,5% do faturamento conseguido com a aeronave em um ano. Sinop, que está em uma posição estratégica neste mercado promissor, tem uma escola de pilotos. Entre os alunos, mulheres também têm se preparado para decolar na profissão.

"Sempre tive sonho de aviação, e vejo a profissão de piloto muito admirada hoje em dia. Eu pretendo continuar com o curso privado e pretendo atuar no piloto agrícola", planeja Fernanda Dalamaria, escriturária.

Segundo o piloto e gestor de segurança operacional, Otávio Freo, a remuneração é boa para quem deseja ser piloto agrícola. "Hoje em dia, é uma profissão que tem uma renda boa. O piloto ganha em torno de R$ 2,50 a R$ 2,30 por passada por hectare”, destaca.

Brasil conta com 232 empresas de aviação agrícola

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o Brasil fechou 2014 com 232 empresas de aviação agrícola em atividade. O documento Empresas de Serviço Aéreo Especializado – Aeroagrícolas foi divulgado no dia 12 de dezembro pelo órgão federal e analisado pelo Portal Agronautas, que traçou o ranking por Estados, com tabela e gráficos.

Pelo portal (atualmente uma das mais importantes fontes de informações sobre o setor) os dados por Estados mantém o mesmo quadro relativo dos últimos anos. Na comparação com o relatório da ANAC de junho de 2014, houve adição ou reativação de 17 empresas (2 no RS, 3 em GO, 3 no PR, 4 em SP, 1 no MT, 1 no MA, 1 no MS, 1 em MG e 1 na BA). Por outro lado, foram consideradas inoperantes 16 empresas (4 em GO, 7 no MT, 1 no PI, 2 no RS e 2 no PR). O Rio Grande do Sul segue liderando o ranking - com mais de um terço do total de empresas, seguido por São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Vale lembrar que o levantamento da Agência de Aviação Civil não abrange os chamados operadores privados (produtores e cooperativas rurais que possuem aeronaves próprias para o trabalho em suas lavouras), que não necessitam de Certificado de Operador Aéreo/COA. Considerando os privados e com base nos dados do Registro Aeronáutico Brasileiro/RAB do início de 2014 (1.925 aviões agrícolas, a segunda maior frota mundial), o Mato Grosso encabeça o ranking da frota, com 446 aeronaves, seguido do Rio Grande do Sul, com 411 aviões

Frota supera a marca de 2 mil aeronaves

O Portal Agronautas divulgou na última sexta-feira (dia 9) um novo relatório sobre a frota aeroagrícola brasileira. Pelo estudo, o País entrou 2015 com 2.007 aviões agrícolas, o que representou um crescimento de 4,26% de dezembro de 2013 ao mesmo mês de 2014. No ranking por Estados, o Mato Grosso ainda concentra o maior número de aviões, com 467 aparelhos, seguido do Rio Grande do Sul, que tem 420 aviões. Em terceiro na lista vem São Paulo, com 287 aeronaves, com Goiás em quarto (239 aviões), Paraná em quinto (141), Bahia em sexto (102) e Mato Grosso do Sul em sétimo lugar (100), seguindo-se os outros Estados.

Como faz todos os anos, o Agronautas tomou por base do Relatório Aeronáutico Brasileiro (RAB) e traçou também o ranking de marcas e modelos (a Embraer ainda tem mais de 60% do mercado) e uma avaliação do crescimento dos turboélices. E outras informações, com diversos gráficos. O Portal é hoje uma das principais referências sobre aviação agrícola no Brasil.

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