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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014


Relógios caros para pilotos de aviões? Sim. Mas são criados para responder às necessidades dos profissionais da aviação? Não. Na verdade, a indústria neste campo produz autênticas máquinas de funcionalidades para quem vai conduzir um avião. Mas quem os compra? Os amantes de relógios e os colecionadores do objeto.

Vejamos o primeiro exemplo. O modelo “Tourbillon RM 039 Aviation E6-B Flyback”, da marca Richard Mille, é um dos mais completos. E ter mais funcionalidades significa gastar mais dinheiro para tê-lo no pulso. Por 114 mil euros, na versão mais simples, é possível ter um relógio que calcula o consumo de combustível, as horas de voo e a velocidade que o avião atinge em terra.

O relógio “especial” tem cerca de mil peças em menos de um centímetro de espessura. O pequeno objeto consegue fazer quase todos os cálculos necessários a um aviador. Revestido de titânio, com várias molas, engrenagens e uma cinta de couro, consegue por exemplo medir a altitude e converter libras em quilogramas.

Será, portanto, o produto ideal para um piloto cumprir com méritos as suas funções. Mas a representante da Richard Mille, Caroline Samson, desmistifica esta ideia: “A verdade é que poucos aviadores precisam de um relógio próprio”. Portanto, o alvo do produto serão, sim, os grandes (e abastados) colecionadores. “O preço não é assunto. Se virmos bem, um jato privado também não é barato”. E, no entanto, há pessoas a comprar.

A IWC Schaffhausen”, empresa suíça de relógios masculinos de luxo, tem relógios com nomes ligados à aviação, como Top Gun ou o conhecido piloto e autor de “O Principezinho”, Saint Exupery. Outro exemplo é a “Bremont”, empresa inglesa de acessórios de luxo na área da aviação. Associou-se à multinacional de aviões Boeing para produzir relógios feitos com material dos aviões da empresa. Há uma edição limitada com uma inscrição do primeiro voo de 1903 dos irmãos Wright. O preço? 39,408 euros.

Na verdade, um dos primeiros relógios de pulso foi feito para um piloto. Foi o joalheiro Louis Cartier que respondeu às necessidades de Alberto Santos Dumont. O piloto confessou-lhe, um dia, que não tinha como ler a hora à noite em pleno voo no relógio de bolso, sem largar as mãos dos comandos. Cartier apresentou assim, em 1904, uma solução — o relógio de pulso.

Na altura, um relógio de pulso caro e completo fazia sentido. Hoje, lembra o Wall Street Journal, este protótipo de objeto para pilotos está geralmente “nos braços dos pilotos de poltrona” ou “nos sonhos dos aspirantes a pilotos”. Aliás, um piloto entrevistado pela mesma publicação revela: “Quando eu comecei a aprender a pilotar, tudo o que eu queria era um relógio para piloto — e os óculos de sol para combinar”. Hoje, os computadores que estão instalados nos aviões funcionam sem quase nenhuma intervenção do piloto. Os aviões privados, aliás, já dispõem de várias aplicações e de navegação satélite que oferecem toda a informação necessária.


Observador

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