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terça-feira, 18 de novembro de 2014



Depois do desenvolvimento de dois terços do avião cargueiro militar KC-390 para o gigante aeronáutico brasileiro Embraer, o Centro de Excelência para a Inovação e Indústria (CEIIA) está capacitado para agarrar outros projetos. Um deles poderá ser o programa E2 que a Embraer lançou em 2013 para desenvolver uma nova geração de aviões com base nos atuais quatro modelos E-Jets: o Embraer 170, 175, 190 e 195.

"O Ceiia está preparado para todos os desafios de participação no desenvolvimento da família E2 da Embraer, depois da participação do KC-390", disse à agência Lusa o presidente do Ceiia, José Rui Felizardo, quando questionado sobre uma eventual participação no desenvolvimento dessas aeronaves, cujas primeiras peças já começaram a ser produzidas na fábrica de estruturas metálicas de Évora, uma das duas unidades que a construtora brasileira tem naquela cidade.

As primeiras peças que estão a ser produzidas para os jatos E-Jets E2 fazem parte do conjunto do caixão central da asa do primeiro protótipo do jato E190-E2, cujo primeiro voo está programado para 2016.

Para já, o centro português de excelência espera receber da Embraer o lançamento da definição dos requisitos para proposta (RFP - Request for Proposal) durante o próximo ano.

"Temos bastante otimismo quanto ao futuro com a Embraer, porque fomos certificados há três anos para esta parte [KC-390], desenvolvemos todo o trabalho e a satisfação do cliente -- segundo os indicadores que temos - é muito boa", disse José Rui Felizardo, no dia em que a Lusa visitou as instalações do centro, as atuais na Maia e as novas em Matosinhos.

Os novos aviões da Embraer vão posicionar-se em termos de capacidade um pouco acima dos atuais E-Jets, reforçando a concorrência aos aviões mais pequenos da Airbus e da Boeing.

O desenvolvimento da indústria aeronáutica conheceu o seu ponto de viragem em Portugal com o desenvolvimento do projeto KC-390, gerando-se um movimento que arrastou empresas e fornecedores, por exemplo, para o fabrico de ferramentas.

"O KC-390 foi realmente um projeto determinante e muito importante para o desenvolvimento do Ceiia e da indústria aeronáutica em Portugal. O KC-390 tem este trabalho de natureza mais comercial com a Embraer e foi um grande projeto de desenvolvimento da indústria aeronáutica do ponto de vista de investigação de criar capacidades para isso", disse José Rui Felizardo, sublinhando todo o trabalho de interação que foi e é necessário fazer com a OGMA (Indústria Aeronáutica de Portugal), o papel determinante de outros fornecedores e a importância das fábricas da Embraer que "servem como uma âncora para projetos que se possam vir a fazer a partir de Portugal".

Para o presidente do Ceiia, é um orgulho ver a bandeira portuguesa nesta aeronave, cujo voo inaugural vai realizar-se ainda este mês.

Além do desenvolvimento de aproximadamente dois terços da aeroestrutura [do KC-390], o Ceiia está ainda associado ao processo de certificação através da parte de ensaios e testes dos módulos que desenvolveu - 'elevator' (estabilizador) e o 'sponson' (dorso). O projeto chegou a obrigar ao trabalho em três turnos e implicou mais de 240 mil horas de engenharia, como contou à Lusa a gestora do programa, Marta Quintiães, do Ceiia.

Mas em curso estão também outros projetos: "No próximo ano, as equipas vão estar 100% concentradas nos ensaios e testes do KC-390 e no programa de engenharia de otimização de fuselagem da aeronave, no novo helicóptero da AgustaWestland (Itália, Reino Unido) e no projeto do novo Falcon através da Socata (França), em que o Ceiia participa no cálculo de estruturas de partes do avião", disse José Rui Felizardo.

Na área aeronáutica, o Ceiia destaca ainda a aeronave não tripulada UAV, um projeto desenvolvido com a Força Aérea Portuguesa e que faz a observação de linhas elétricas de alta tensão.

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